Vocação



Assim como amo histórias, amo criá-las. Eu as escrevo desde que aprendi como fazer, e elas chegam até mim das formas mais inusitadas.

Quando eu tinha 11 anos, 1994, foi um ano inesquecível, no Brasil e no mundo (é claro que, eu não fazia ideia disso, mas foi tão marcante, que até eu, uma criança de 11 anos, sentiu isso). O Brasil ganhou uma nova moeda, o Real. A África do Sul estava em êxtase com o primeiro presidente negro da história do país, Nelson Mandela. A antiga rede manchete me viciou no anime que virou mania nacional, o Cavaleiros do zodíaco. A seleção brasileira de futebol masculino ganhava, após  25 anos, o tetracampeonato. Então... O Brasil sofreu uma grande perda, o maior ídolo do automobilismo brasileiro e mundial, o favorito pra ganhar o campeonato naquele ano, Ayrton Senna, estreando em uma nova equipe, a Williams, bate violentamente a mais de 200k/h... Naquele ano, também morreram, o cantor e compositor Tom Jobim, o visceral Kurt Cobain (vocalista de uma das minhas bandas preferidas, o Nirvana), o humorista Mussum, o escritor e poeta Mário Quintana... Mas adivinhem? Eu não conseguia tirar da minha cabeça, a morte chocante do ídolo mundial, Ayrton Senna.
Foi aí que, aconteceu! O fenômeno dos sonhos! (Não sei descrever de outra forma).
Eu, pensei tanto naquela tragédia, tanto, que sonhei com tudo aquilo.
Só que... Sonhei por dias seguidos.
E... Sonhei o mesmo sonho. Sim! Exatamente igual.
Foram tantas noites que, eu sabia de trás pra frente. Contei para um tio, que me fez repetir três vezes o sonho (ou pra me zoar, ou pra saber se era realmente igual), depois me disse: escreva seu sonho. Eu escrevi.
Era um sonho triste, mas tinha um final feliz (diferente da realidade). Foi aí que descobri duas coisas.
Primeiro, que eu amava escrever (de preferência histórias com finais felizes). Segundo, que eu não escolho as histórias, elas são despejadas em mim e eu tenho a necessidade de colocá-las no papel, se não as escrevo, sonho com elas repetidas vezes (é surreal) até elas ganharem vida no papel (ou notebook). E vocês? Como descobriram que deveriam fazer o que fazem hoje?

Texto: Lili Dantas
Arte: Elle Hell

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