Escritora


Certa vez, num dia comum de sol fervente em Manaus, dois amigos escritores, despretensiosamente falavam sobre a diferença entre escritor e autor. Um deles dizia, “eu não me considero um escritor, é um título tão ilustre, eu só gosto de escrever, ser escritor parece ser mais do que eu sou.”

O outro, ouvindo com atenção, ponderou, sorriu com ternura para seu amigo, e logo em seguida disse, “acredito que você esteja enganado, ESCRITOR É TODO AQUELE QUE ESCREVE. Que expressa-se através das palavras sem ater-se a um tema específico, apenas escreve com paixão, sobre tudo. Sem importar-se em ser lido ou não. A única regra é amar a escrita.
E um autor, é alguém que já publicou um livro. Ponto. E sim, um escritor pode vir a ser um autor, entretanto, você pode nascer com a alma de um escritor, crescer no meio das palavras, dos livros, cadernos, lápis, escrever todos os dias, por hobby, catarse, necessidade ou tesão, e jamais se tornar um autor. Nem toda pessoa que escreve aspira o status de autor. Eu só peço, se assim o desejar, no dia que tornar-se um autor, não permita que seu escritor morra de fome. Alimente-o diariamente. Com conhecimento, simplicidade, diligência, e ócio, sim!
Por que não?” Aquela conversa aqueceu meu coração. Descobri-me escritora.

Quando eu digo que, “ler é como inspirar, e escrever é como expirar”, é real.
Não quero saber de ordem ou obedecer as tradições literárias existentes. Só quero escrever. Falar sem escrúpulos sobre o indizível. Quebrar as regras das formalidades linguísticas enfadonhas. Tornar possível ouvir o que ninguém quer escutar.
Tenho apego às minhas epifanias e zero controle sobre junção de sílabas e sua linhas, por isso, sou tentada constantemente e com picos de excitação profunda, a não me importar com coesão ou em parecer linear. Quero a liberdade que a privacidade de um quarto escuro com uma tela brilhante me traz.
A parte mais fácil é reverberar o que está na minha alma. A difícil? Tornar esse caos entendível. E quem disse que seria fácil?
Só deixe suas pegadas!
Como dizia Woolf, "escrever é que é o verdadeiro prazer, ser lido é um prazer superficial." 


Texto: Lili Dantas
Arte: Elle Hell

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