Carnaval
Hoje, quarta-feira de cinzas, não é só o “fim do Carnaval”, dia de baixar a poeira, do descanso após tanta folia, ou como dizem em toda quarta-feira de cinzas “Carnaval acabou, enfim chegou 1º de janeiro!”. Todos tem algo a dizer sobre, independente da crença. Sei que para os judeus jogar um punhado de cinzas por cima da cabeça significa arrependimento dos pecados. Para os católicos é o dia para lembrá-los da “mortalidade”, de como a vida é breve e frágil. Também é o dia que marca o início da Quaresma, tempo de penitência, orações. A cruz de cinzas na testa dos fiéis representa o pó de onde o homem veio. As cinzas tem a função de lembrá-los que irão morrer, que “todos somos pó e ao pó da terra voltaremos, para que assim, o nosso corpo seja refeito por Deus de forma gloriosa a fim de não mais perecer”. Essa passagem sempre me consolou e assustou ao mesmo tempo, assustava pois mesmo em tão tenra idade me considerava pecadora e eu sabia quase nada sobre arrepender-me, acreditava que arrependimento só era válido se fosse verdadeiro e muitas das coisas que diziam serem erradas eu não sentia arrependimento. O consolo era que é tão perfeita a ideia de sermos refeitos por Deus no lugar prometido, enquanto não nos apegamos a este mundo pois a felicidade plena não é daqui. Soava como poesia pra mim.
Percebo que na época eu não entendia o verdadeiro significado dessas palavras. Alguém me disse que a vida é como quando vemos uma bela rosa murchar, como se ela estivesse nos dizendo que a beleza está nela, mas não lhe pertence. Acredito nisso, estamos aqui hoje, amanhã quem sabe? Então quem é de carnaval, que viva a festa linda do carnaval. Quem é mais de quarta-feira de cinzas como eu, vamos encher a cara de poesia e realidade dos nossos costumeiros dias cinzas...
Texto: Lili Dantas
Arte: Imagem livre da internet



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