Que leitor você é?
Em meio ao bate-papo, relatei que muitos dos meus livros são rabiscados nas minhas passagens favoritas. Tem os que tiveram suas “orelhas” dobradas. Os que possuem um círculo marrom com respingos por todos os lados (claramente marcas de xícaras com um precioso líquido chamado café). Não posso esquecer dos que foram emprestados e devolvidos com rasgos e marcas desconhecidas (das quais eu inventei histórias mirabolantes na minha cabeça sonhadora para ilustrá-las). Tem também os que sofreram com mais dificuldades o passar do tempo, são os meus “guerreiros”, eles não desistem de mim, nem eu deles, como a edição de O príncipe e o mendigo, do Mark Twain (foto) que citei ontem nos stories do Instagram como o favorito da minha infância, tenho desde os 8 anos (sim, tem quase 30 anos). Eu sou esse tipo de leitora. Acredito que um livro possa contar uma história além da que está escrita. Que eles são como pessoas, não incólumes, mas cheios de marcas, arranhões, dobras, lombadas, furos, rasgos, queimaduras, feridas, cicatrizes... cheios de memórias. Todos temos um passado, caminhos percorridos que nos fazem ser quem somos, e na boa? Seja você um livro ou uma pessoa, eu amo mais quem você é do que quem você foi.
Eu respeito quem tem o tipo de amor pelos livros que os conservam de maneiras inimagináveis. Em ambientes estéreis, para que possam manter-se intactos a inevitável passagem do tempo. Uns evitam os tocar com frequência para não “sujar” suas páginas. Outros jamais comem ou bebem próximo a eles, a fim de evitarem acidentes indesejáveis que possam os marcar. Os da turma dos marcadores que ficam horrorizados com “orelhas” dobradas... Não importa o tipo de leitor que você seja só, seja um leitor, viva a leitura além das páginas. Os livros agradecem, você, mais tarde, também o fará.
Agora diz aí, que tipo de leitor você é?
Texto: Lili Dantas
Foto: Lili Dantas



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