Corpo em equilíbrio



Recebo cobranças e elogios revestidos de críticas, de pessoas que gostariam que eu mostrasse “mais de mim”. 

Compreendo o apelo, a curiosidade, porém, entendo principalmente o motivo por trás. 
Faço selfies, acho mais prático e sinto-me confortável. Aí os pedidos para fotos “mostrando mais” fervilham. 
E essa nem é a questão, tem fotos de corpo inteiro, mas estou sempre vestida, o que pra mim é óbvio pois não é meu foco o oposto. 
É só eu postar uma selfie do rosto suado após me exercitar, que começam... 
“Quanto você pesa? Mede? Veste? Mostra teu corpo! Você é linda de rosto, cadê o corpão? Você tem vergonha?”. 
Porém, o que mais incomoda é a maneira como nós mulheres somos cobradas pela nossa “embalagem”. E a maioria que dissemina esse tipo de comportamento, somos nós mesmas. 

Por isso, bato na tecla da diversidade de corpos, amor-próprio, exercitar a autoestima... 
Eu entendo que, a maioria que pedem fotos não é para simples e ingênua apreciação, é comparação. 
A régua está pronta pra ser usada. 
A maioria das pessoas estão habituadas a achar bonito o que os outros acham bonito. Nos foi ensinado assim, normatizado, mas não é normal! 

Quebrei a corrente por aqui, tentando ensinar empatia pra minha cria, daí ela vai ensinar os filhos dela e assim por diante. Se eu estou conseguindo, é possível. 
A obsessão pelo corpo, passar a vida brigando com o seu biótipo, entrando e saindo de dietas malucas, fazendo cirurgias, exercitando-se na “força do ódio” como dizem por aí. É doentio. 
Comida é pra ser saudável, pra nos deixar felizes, alimentar o corpo com equilíbrio, celebrar, reviver memórias. 
Exercícios é pra liberar endorfina, sentir leveza, felicidade, é pra ambos proporcionarem prazer. 
Uma vida regrada e infeliz, é triste. Todo extremo é horrível e machuca.

Entendam, somos diferentes, nossos corpos são diferentes. Ninguém é igual!

Tem inúmeros iGs de treinos, dietas, danças, etc. Eu? Escrevo! Também tem dicas de livros, filmes, séries, músicas. E no meio de tudo isso, eu posto um pouco da minha rotina, porém, não tudo. Sou 10% aqui do que sou no meu cotidiano. Não irei narrar minha vida pois ela é muito mais do que fotos e posts em redes sociais.

O normal que vocês tanto cobram, não existe, a obsessão por ele sim. 

Quando passei a fazer exercícios pelo meu bem estar físico e mental, não pra emagrecer, tudo mudou. 

Muitas pessoas não sentem prazer exercitando-se, sempre preocupadas com resultados. Você não precisa sentir dor e comer alimentos ruins pra ser saudável. Exercícios podem ser prazerosos e alimentos deliciosos. 

Ser magro não significa ser saudável. Tem pessoas magras em consequência de um câncer, doenças autoimunes. Gordo não significa doença. Tem milhões de pessoas gordas e isso nada tem a ver com comer compulsivamente, é só um tipo físico dentre muitos. 
Claro, existem pessoas doentes com distúrbios de peso. Como eu sei se a pessoa é gorda ou obesa? Magra ou anoréxica? É simples, não tem como saber e se não sabe é porque NÃO é da sua conta. Não há como descobrir se alguém é saudável só de olhar. 

Assim como é impossível saber se é feliz, se sofre depressão, etc. Será que viveremos a fase de postar nossos exames médicos? 

Fala-se muito pouco sobre a tríade corpo, mente e espírito. Isso é importante. Equilíbrio, todo extremo é nocivo. 

A cultura do body shaming, o preconceito em si, está tão enraizado a ponto de as pessoas só odiarem seus corpos. 

Viajem para dentro de si mesmos, conheçam-se. Só nós somos capazes de compreender nossos limites. 

Parem de padronizar as pessoas. 

Sigam pessoas que tenham um conteúdo sobre corpos reais, que falem de assuntos importantes como body shaming que é mais do que ter vergonha do corpo, é quando alguém a partir de comentários ofensivos, inapropriados, faz com que o outro sinta-se humilhado por ter o corpo que tem. Horrível né? E comum. 
Existe um movimento lindo sobre corpo livre. Que não é sobre suruba (nada contra) e sim aceitação, amar-se além das aparências. Procurem saber mais a respeito. 

Veja bem, não é proibido mudar, se você não está feliz tem que mudar mesmo. Porém, o movimento é sobre você NÃO ser obrigada a fazê-lo. 
É sobre dietas forçadas, exercícios que ao invés de te deixar chapada de endorfina, te deixa neurótica e obcecada. 
Corpo livre é sobre felicidade, saúde, amor-próprio. 
Por fim, libertem-se, amem-se, é um exercício diário, dos mais difíceis. 
Exige disciplina como qualquer outro, mas acreditem, é possível!

Texto: Lili Dantas 
Arte: Bruna Bsa, modelo: Letticia Munniz

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