Desapego



Você é desapegado? Eu sou!

Quando era criança, era comum voltar pra casa faltando algo. Mamãe ficava irritada e eu costumeiramente levava bronca. Nossa condição financeira não ajudava e presentear o coleguinha da escola com lápis ou o estojo dos ursinhos carinhosos totalmente fora do orçamento, não era uma opção. Meu eu de 9 anos não lamenta, mas o bolso da mamãe... Dar coisas é um hábito que não consegui desfazer-me, ó a ironia. Não que eu seja altruísta, acho que não nasci com o “gene do apego”. Existem situações em que a pessoa gosta de algo que eu tenho, e é natural tudo acabar na frase “fica pra você!”. Mas não é só isso.
Eu e meu marido temos uma brincadeira, só é brincadeira porque ele já sabe a resposta. Ele diz, “você prefere viajar ou comprar tal coisa?” (ele cita algo que provavelmente estamos “precisando”), minha resposta de sempre é, “viajar, claro!”. Sorrimos e programamos a próxima viagem, que nos fará acumular o que consideramos mais importante, “memórias”. Não me levem a mal, eu gosto de coisas, mas fico muito bem sem elas.
Acredito que os objetos em geral, tem sua utilidade, se não tem, me desfaço deles. Simples. Se eu ganho algo, e sei que não vou usar, passo adiante, sem culpa. O que não faço é deixar guardado.
Se ganho ou compro algo, não importa o que seja, eu uso. Não tem essa de “data especial ou isso é para as visitas”. Coisas são coisas.
Temos uma regra em casa. Objetos em geral tem o prazo de 1 ano para serem usados, caso contrário, são doados. A regra vale para tudo, com exceção dos meus livros. Tenho um apego inexplicável a minha “pequena biblioteca”. Alguém consegue desfazer-se de livros? Ainda assim, se alguém mostra interesse em um deles, presenteio e ainda faço dedicatória.
Meu “desapego” não é uma crença, filosofia, nada disso. É uma característica da minha personalidade. Lembrei de um texto maravilhoso da Martha Medeiros, em certo trecho ela diz, “coisas foram feitas para se usar, e não para se amar”.
Então, que tal nos desfazermos de tudo o que tá parado há mais de 1 ano, e colecionarmos momentos e amarmos pessoas? Afinal, é só o que levamos da vida.

Texto: Lili Dantas
Imagem: Google

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