Pecados
Vejo muitas pessoas falarem com um certo orgulho de determinados “pecados”. Como se fosse um troféu que receberam, mas que não queriam. Ainda assim o guardam na estante da sala de estar de suas casas, em exposição escancarada, outros, escondidos no porão. A questão é que guardam.
Os pecados que mais ouço são, preguiça e gula. Muitos ainda acreditam serem os “delitos mais inofensivos”. Alguns até dizem avareza, ira, mas os que eu não ouço ou vejo confessarem é inveja, soberba e a tão temida e estereotipada luxúria!
A luxúria e a inveja, nunca são mencionadas, a não ser por uma terceira pessoa. É interessante, pois são os mais comuns dos pecados. São aqueles que todos, sem exceção, sentem e comumente vivenciam. Contudo, fomos ensinados, doutrinados a escondê-los, fingir que não existem. Não podemos sequer falar.
Você abre a boca e diz, “tô com tanta preguiça”. Ou, “minha gula tá atacada hoje”. Porém, quantas pessoas você conhece, que diz, “hoje minha luxúria está fora de controle”? Ou “Estou me corroendo de inveja”, eu, desconheço.
Tom de deboche não conta!
Aprendemos a escolher dentre tantas falhas, as menos “ofensivas”. E quem nos ensinou isso foi nossa sociedade, religião... A sociedade escolheu o que a ofende mais, e nós seguimos, permitimos, porque fomos ensinados a acreditar fielmente.
Ainda não temos autonomia sobre nós mesmos.
Entretanto, deixa eu te contar um segredo, não existe pecadinho ou pecadão. Existe pecado. Falhas.
Precisamos reconhecê-las, mas acima de tudo, dar os verdadeiros nomes a elas. Aprender a domar nossas más (ou não) inclinações é o motivo de nossa existência. Falar ajuda.
Confesse!
Como disse Jung, “Não há despertar de consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo, para evitar enfrentar a sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão”. ⠀⠀⠀⠀
Texto: Lili Dantas
Arte: Vfilippi Psi⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀



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